Tinha de ser, eu, não podia mais.Continuar seria uma loucura, uma vergonha ou uma estupidez.
Cansei-me de ser bom, de ser amigo, e esta foi, afinal, a derradeira vez.
A derradeira, sim, que perdoei o mal que construí pelas minhas próprias mãos.
Ouvindo em cada passo num insulto ou numa gentileza disfarçada em cinica e venal contradição.
Satisfazer caprichos e apetites, a troco de uma reles ilusão.
Ser parvo, não ouvir, não compreender, sofrer, chorar, fingir não dar por nada e regressar casa ainda mais destruído e desprezivel.
Só quando a noite dá lugar à madrugada e a gente raciocina mas não vê... numa palavra: Viver assim, porquê?
(desconheço o autor)
