
segunda-feira, julho 27, 2009
vivo

sábado, julho 25, 2009
deixa
foto de Liamesmo que só te chegue o ruído súbito de uma mota
ou o meu escandaloso tédio
deixa…
que te leve notícias ocultas
nas minhas gaguejadas palavras
que procure a paisagem mais exuberante
e que te as leve entre os meus dentes
para que as espalhes na húmida tenacidade
dos dedos
quando se transformam em pétalas
Luísa Ribeiro
sexta-feira, julho 24, 2009
Confusão

Meu coração é teu coração?
Quem me reflexa pensamentos?
Quem me presta esta paixão sem raízes?
Por que muda meu traje de cores?
Tudo é encruzilhada!
Por que vês no céu tanta estrela?
Irmão, és tu ou sou eu?
E estas mãos tão frias são daquele?
Vejo-me pelos ocasos, e um formigueiro de gente anda por meu coração.
Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes
quarta-feira, julho 22, 2009
terça-feira, julho 21, 2009
A estupidez

segunda-feira, julho 20, 2009
sou

domingo, julho 19, 2009
sábado, julho 18, 2009
mar
foto de Rui Camposcamara lenta

Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto. Aceito feliz quem eu sou. Não acho graça em quem não acha graça. Acho chato quem não se contradiz. Às vezes desejo mal. Sou humana. Sou quase normal. Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro. Não sou perfeita, não sou previsível. Sou uma louca. Admiro grandes qualidades. Mas gosto mesmo dos pequenos defeitos. São eles que nos fazem grande. Que nos fazem fortes. Que nos fazem acordar. Acho bonito quem tem orgulho de ser gente. Porque não é nada fácil, eu sei. Por isso continuo princesa. Continuo guerreira. Continuo na lua. Continuo na luta. No meio do caos que anda o mundo, aceitar é ser feliz.
sexta-feira, julho 17, 2009
quarta-feira, julho 15, 2009
A palavra

que estremece em escuros bosques, uma anémona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projecta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.
terça-feira, julho 14, 2009
domingo, julho 12, 2009
inquietude
sábado, julho 11, 2009
O amor no éter

Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde.
Adélia Prado
sexta-feira, julho 10, 2009
é..................
quinta-feira, julho 09, 2009
lua

quarta-feira, julho 08, 2009
Jeito de escrever
Não sei que diga.terça-feira, julho 07, 2009
Preciso, para
Preciso que um barco atravesse o marlá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.
Marina Colasanti







