
domingo, fevereiro 11, 2007
sábado, fevereiro 10, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
o juramento
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
domingo, fevereiro 04, 2007
bird
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
quarta-feira, janeiro 31, 2007
sentidos
domingo, janeiro 28, 2007
sábado, janeiro 27, 2007
sexta-feira, janeiro 26, 2007
...
quinta-feira, janeiro 25, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
as nuvens
foto de Geoffroy Demarquet
Vejo as nuvens que avançam do Atlântico
para o continente.
E, por trás delas, como um pastor
exigente, o vento que as empurra.
Depois,
as nuvens passam e volta o sol, com o azul
imutável das manhãs de outono, monótono e distante
como quem o olha, ao sair de casa, sem
tempo para pensar no tempo.
As nuvens, no entanto, continuam
o seu caminho: umas, desfazem-se em águas
obre campos vazios, ou descem para as grandes
cidades para as abraçar com um tédio
enevoado. As que me interessam, porém,
são as que sobem para norte, e ficam
mais frias à medida que as pressões continentais
abrandam o seu curso. Então, param
em dias cinzentos; e, por fim, escurecem
a tua alma, quando as olhas, e te apercebes
de que se aproxima um inverno
de solidão.
A não ser que leias, nesse obscuro céu,
esta carta que te mando.
Nuno Júdice
Vejo as nuvens que avançam do Atlânticopara o continente.
E, por trás delas, como um pastor
exigente, o vento que as empurra.
Depois,
as nuvens passam e volta o sol, com o azul
imutável das manhãs de outono, monótono e distante
como quem o olha, ao sair de casa, sem
tempo para pensar no tempo.
As nuvens, no entanto, continuam
o seu caminho: umas, desfazem-se em águas
obre campos vazios, ou descem para as grandes
cidades para as abraçar com um tédio
enevoado. As que me interessam, porém,
são as que sobem para norte, e ficam
mais frias à medida que as pressões continentais
abrandam o seu curso. Então, param
em dias cinzentos; e, por fim, escurecem
a tua alma, quando as olhas, e te apercebes
de que se aproxima um inverno
de solidão.
A não ser que leias, nesse obscuro céu,
esta carta que te mando.
Nuno Júdice
quinta-feira, janeiro 18, 2007
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sábado, janeiro 13, 2007
o meu lado lunar

foto Jmac
Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu, por falso respeito humano,
não dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
Clarice Lispector
quinta-feira, janeiro 11, 2007
eu gosto ...

foto Jochen van Eden
eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
Bruna Lombardi
terça-feira, janeiro 09, 2007
domingo, janeiro 07, 2007
Metade
Porque metade de mim é o que eu gritoMas a outra metade é o silêncio
Porque metade de mim é partida
E a outra metade é saudade
Porque metade de mim é o que oiço
Mas a outra metade é o que calo
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade é um vulcão

Porque metade de mim é lembrança do que fui
A outra metade eu não sei ..
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção
(Oswlado Montenegro)
sexta-feira, janeiro 05, 2007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
E se a laranja cair? E o poema?
(...)A queda da laranja provocará o poema?
A laranja voadora é , ou não é,uma laranja imaginada por um louco?
E um louco, saberá o que é uma laranja?
E se a laranja cair? E o poema?
E o poema com uma laranja a cair? E o poema em forma de laranja?
E se eu comer a laranja,estarei a devorar o poema? A ficar louco?
(...)
E a palavra laranja existirá sem a laranja?
E a laranja voará sem a palavra laranja?
E se a laranja se iluminar a partir do seu centro, do seu gomo mais secreto, e alguém a (esquecer) no meio da noite-servirá (o brilho) da laranja para iluminar as cidades há muito mortas?
E se a laranja se deslocar no espaço-mais depressa que o pensamento, e muito mais devagar que a laranja escrita - criará uma ordem ou um caos?(...)
Al Berto - Prefácio para um livro de poemas
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Foto de Ivan Jorge -PicoArieiro
por mais que diga
atropelo as palavras
e a garganta não escoa a desordem
de sons desconexos das fendas
húmida dos olhos
num falhanço de frases nunca terminadas
é sempre assim enquanto me debato
entre as ondas serenas
de uma raiva difusa contra as nuvens
súbitas e baixas
inquietas que sinto acumular em densidades
de algodão em rama sobre os ombros
e sempre a impressão
abrupta
de batimentos de asas alcançando
em frémitos de azul
o infinito
Carlos Nogueira Fino
por mais que digaatropelo as palavras
e a garganta não escoa a desordem
de sons desconexos das fendas
húmida dos olhos
num falhanço de frases nunca terminadas
é sempre assim enquanto me debato
entre as ondas serenas
de uma raiva difusa contra as nuvens
súbitas e baixas
inquietas que sinto acumular em densidades
de algodão em rama sobre os ombros
e sempre a impressão
abrupta
de batimentos de asas alcançando
em frémitos de azul
o infinito
Carlos Nogueira Fino
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