domingo, maio 13, 2007

de um modo ou de outro

foto de fausto cunha


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."


Clarice Lispector

palavras ao vento

esta casa merece ser visitada, pois nela encontarmos os mais belos poemas sempre acompanhados por excelentes fotos

sábado, maio 12, 2007

olhar

Bertrand Linet


quarta-feira, maio 09, 2007

aqui a espreitar



a.mar-el/o











foto Sergio P.

domingo, maio 06, 2007

.


foto by Haleh Bryan



Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, maio 04, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

proteia

foto de Ângela Almeida

terça-feira, maio 01, 2007

A DEVIDA COMÉDIA


Magnífico artigo na Visão on-line! - Criancinhas!
A DEVIDA COMÉDIA, Miguel Carvalho, Quinta, 1 Março 2007


A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umast antas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal.
A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôrnos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.
A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora.
Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola eespetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce.
Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me.
Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.
E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

domingo, abril 29, 2007

silêncios


sem nexo
sem pressa
sem forma e vazia

sexta-feira, abril 27, 2007

A lágrima súbita


foto de Augusto Peixoto

Nenhuma grande chuva
jamais encheu o mar;
nenhuma seca do Ceará
conseguiu baixar o nível das águas
deste mar-oceano;
logo,
esta lágrima súbita,
neste mar salgado,
é inútil
como volume.

(...)

— De que medos tenho coisa?

Transito eu - ela disse - entre o abismo e a lembrança;
que agora, neste borrifo de espuma e brisa,
os escorridos da minha face me confundem:
--------------------------------— serão de mim,

---------------------------------serão do mar? —
(...)

Ou, mais prudente clamar pelo sonho, que prefiro imaginar, agora:
------------------------------(optei pelo sonho,

------------------------------claro que é sonho)
esta vontade de fugir

e cavalgar horizonte e brisa,
tanger os ventos no corcel dos meus cabelos,
navegar os azuis e céus na esquina de minha face
e quando gritar por lágrima,
venha, senhora lágrima,
eu quero
eu preciso chorar,
(...)



Soares Feitosa

quarta-feira, abril 25, 2007

assim

haleh bryan


















a.sim

terça-feira, abril 24, 2007

se

Whitby



Se eu não estivesse a dormir
perguntaria aos poetas
A que horas desejam que vos acorde?

( Alexandre O`Neill )

domingo, abril 22, 2007

Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a monotonia de tudo.

A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim. (...)
Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo.(...)
O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo.
Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenha em si o não ser este lugar.
Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias.
Quero repousar. (...) Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso.
Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.
A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se, sem revolta possível nem refúgio que achar. Uns nascem escravos, outros tornam-se escravos, e a outros a escravidão é dada.
O amor cobarde que todos temos à liberdade - que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão.
Eu mesmo, que acabo de dizer que desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é a de mim, ousaria eu partir para essa cabana ou caverna, sabendo, por conhecimento, que, pois que a monotonia é de mim, a haveria sempre de ter comigo?
Eu mesmo, que sufoco onde estou e porque estou, onde respiraria melhor, se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?
Eu mesmo, que anseio alto pelo sol puro e os campos livres, pelo mar visível e o horizonte inteiro, quem me diz que não estranharia a cama, ou a comida, ou não ter que descer os oito lanços de escada até à rua, ou não entrar na tabacaria da esquina, ou não trocar os bons-dias com o barbeiro ocioso?
Tudo que nos cerca se torna parte de nós, se nos infiltra na sensação da carne e da vida, e, (...) nos liga subtilmente ao que está perto, enleando-nos num leito leve de morte lenta, onde baloiçamos ao vento.
Tudo é nós, e nós somos tudo -, mas de que serve isto, se tudo é nada?
Um raio de sol, uma nuvem que a sombra súbita diz que passa, uma brisa que se ergue, o silêncio que se segue quando ela cessa, um rosto ou outro, algumas vozes, o riso casual entre elas que falam, e depois a noite onde emergem sem sentido os hieróglifos quebrados das estrelas.

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

sexta-feira, abril 20, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

assim...estou assim

Edward Hopper

terça-feira, abril 17, 2007

em stress


..nota-se?

domingo, abril 15, 2007

As cores do mar





tanto mar .................
sabe a sal
.................














foto de antónio manuel pinto silva

terça-feira, abril 10, 2007

A Força da Palavra


Uma palavra devolve-me o tempo exacto.
Nela me instalo.
E sou feliz ou infeliz.
Mas à minha maneira.
Maria Rosa Colaço

domingo, abril 08, 2007

Fascínio pela estupidez

...
Hoje em dia, há muita retórica, muita simulação, muita palavra sem substância, travestida de “idéia”. Os intelectuais do nosso tempo (claro que não todos, não se pode generalizar, pois há inúmeras exceções), adotam pomposos jargões, inúteis, desnecessários e incompreensíveis, acessíveis apenas a meia dúzia de “iniciados”, para expressar supostos princípios, que dão a impressão, aos desavisados, de conteúdo, que na verdade não têm. “Words, words, words”, diria Shakespeare.
Víctor Hugo definiu esse procedimento de forma até mais direta e objetiva. Afirmou: “Quando não somos inteligíveis é porque não somos inteligentes”. A simplicidade, embora não pareça, é uma virtude rara e desejável, principalmente no que diz respeito à comunicação, ao raciocínio e à expressão de idéias consistentes e construtivas..
Por isso, não posso deixar de dar razão ao cineasta francês, Claude Chabol, quando afirma que “a estupidez é muito mais fascinante que a inteligência. A inteligência tem os seus limites, a estupidez não”.
Nesses casos específicos, citados acima, de Galileu e de Giordano Bruno (e em tantos e tantos e tantos outros que nem precisam ser mencionados), não tinha mesmo. O escritor alemão do século XVI, Friedrich Hölderlin, tem uma forma mais sutil, e mais poética, de expressar esta constatação. Escreveu: “O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa”.
Claro que o ideal seria exatamente o contrário. Ou seja, que ele fosse divino em seu raciocínio e indigente em termos de tolices. Mas... isso é esperar demais desse ser contraditório, dotado de imensa grandeza e, paradoxalmente, também de enorme miséria, que o pensador francês, Edgar Morin, classifica, com muita propriedade, de “homo demens”...

Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”

sexta-feira, abril 06, 2007

só

quinta-feira, abril 05, 2007

pingo



talvez mar. azul.

talvez murmurar

terça-feira, abril 03, 2007

Páscoas


sejam felizes....sempre

domingo, abril 01, 2007

existem ? ! ...
























foto de António Manuel Pinto da Silva

vida

foto paulo santos

"Uma vida que é vivida,
e outra vida que é pensada"
(F. Pessoa)

quinta-feira, março 29, 2007

as unidades de tempo




o dia, dividido em horas e estas, por sua vez, em minutos e estes em segundos. a semana, o mês, o ano. décadas, séculos e milénios


eu estou/sou contra os calendários, os relógios...

segunda-feira, março 26, 2007

e......


.......perdem-se palavras

sábado, março 24, 2007

envolvimento



















foto de carlos marques

sexta-feira, março 23, 2007

s



foto de João Azevedo


uma semana cheia de fumo.....

domingo, março 18, 2007

A procurar desejos que me assustam...

foto sweetcharade
Dentro de mim que não sou outro
Se alastram eus de opacas imagens
A conversar comigo
Estou a declamar vontades que já não me importam
Diante desses murmúrios
Tenho a sensação de confundir-me com tudo...

Alain Bisgodofu

sexta-feira, março 16, 2007

insistente

foto de yuri b
sento.me insistentemente a esta mesa
esta forma pensativa que se ajusta
ao meu modo de tocar as ideias
com dedos sôfregos dum incisivo conhecimento
para além dos objectos
para além do gosto exterior
da porcelana
ou do azul
(...)
irene lucília andrade

terça-feira, março 13, 2007

...vivo de tudo em tudo

fotos de Jingna

(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
...
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
(...)
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
...
O gatuno de carteitas, a sombra que espera nas vielas
-Todos são a minha amante predilecta pelo menos um momento na vida.
A.Campos

sábado, março 10, 2007

só.lido


António Manuel Pinto da Silva



"E ninguém sou eu, e ninguém é você. Esta é a solidão".
Clarice Lispector

quinta-feira, março 08, 2007

?

O que há para além disto?

segunda-feira, março 05, 2007

-me


A ficção acompanha-me, como a minha sombra.
E o que quero é dormir.
Bernardo Soares

domingo, março 04, 2007

gastos

foto de David Duarte
Passamos pelas coisas sem as ver, gastos,
como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos
E.Andrade

sábado, março 03, 2007

!

foto de thorsten jankowski



solidão .....

... acompanhada

quinta-feira, março 01, 2007

Poema dum Funcionário Cansado


foto Graça




Antonio Almeida, deixou o poema nos comentários......eu tinha de postá-lo








A noite trocou-me os sonhos e as mãos /dispersou-me os amigos /tenho o coração confundido e a rua é estreita estreita /em cada passo /as casas engolem-nos /sumimo-nos /estou num quarto só /num quarto só com os sonhos trocados /com toda a vida às avessas a arder num quarto só /Sou um funcionário apagado /um funcionário triste /a minha alma não acompanha a minha mão /Débito e Crédito Débito e Crédito /a minha alma não dança com os números /tento escondê-la envergonhado /o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente /e debitou-me na minha conta de empregado /Sou um funcionário cansado dum dia exemplar /Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever? /Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço /Soletro velhas palavras generosas /Flor rapariga amigo menino /irmão beijo namorada /mãe estrela música /São as palavras cruzadas do meu sonho /palavras soterradas na prisão da minha vida /isto todas as noites do mundo numa só noite comprida /num quarto só.



(António Ramos Rosa)

domingo, fevereiro 25, 2007

........................................

foto de Paulo Moura
«O que há em mim é sobretudo cansaço
-Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
- Essas e o que falta nelas eternamente - ;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço................................

A.C.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

até ao fim

foto de Steev Vieira
é preciso amar, não só por um instante, casualmente, mas sempre, até ao fim
dostoievki

terça-feira, fevereiro 20, 2007

bom dia


Geoffroy Demarquet


não nos conhecemos?






... desculpe, deve ser engano!

domingo, fevereiro 18, 2007

sempre .......................

Chagall, Lovers Gray

"A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível.

O amor é oferecido raramente e aquele que o nega, algumas vezes depois não o encontra mais..."





Sofia de Mello Breyner Andresen, Contos Exemplares

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

acredito


foto carlos santos



"eu acredito na imaginação.
o que não vejo é infinitamente mais importante do que aquilo que vejo."
duane michals

terça-feira, fevereiro 13, 2007

não alinho com os alinhados


Rejeito engrossar a fila de todos os alinhados
sempre bonitinhos e bem aceites
estou consciente
sou inconformado no meu desalinho
gritem e chamem-me o que quiserem
não alinho com os alinhados
deixei-me estar vivo no meu canto!
O meu leme não aceita
rumos que me dão beatificamente
Francisco Motaco

domingo, fevereiro 11, 2007

sábado, fevereiro 10, 2007

sim



acredito na verdade dos sentimentos

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

o juramento

Camille Claudel,

Não acabarão com o amor,

nem as rusgas,

nem a distância.

Está provado,

pensado

verificado.

Aqui levanto solene

minha estrofe de mil dedos

e faço o juramento:

Amo

firme

fiel

e verdadeiramente.


Maiakovski (1893-1930)


Tradução de E. Carrera Guerra

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

a noite

fotos da Wind


"A noite
__ Como ela vinha!
Morna, suave,
muito branca, aos tropeções

Já solene as coisas descia __ E eu nos teu braços deitado
A té sonhei que morria
."


(António Botto)

domingo, fevereiro 04, 2007

bird

Magritte

"já que os nossos sonhos não são para se realizar, ao menos que sejam deslumbrantes"

stephen vizinczey

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

com ...


"Com estrelas na alma, com visões na mente" (Junqueiro)